Qual a idade certa para o primeiro celular? 

Foi-se o tempo em que o sonho de consumo de qualquer criança era uma bicicleta. Lembro-me que este sonho chegava a perdurar, já que não bastava ganhar a primeira bicicleta e sim almejar por uma de aro maior capaz de acompanhar o desenvolvimento físico da criança e desafiar ainda mais seu equilíbrio. Hoje, encontramos facilmente crianças e até adolescentes que não chegaram, sequer, a aprender andar sobre as duas rodas sem as auxiliares rodinhas.

 

Muito antes de aprender a amarrar o tênis, a nadar e até mesmo tomar banho sozinho (não estou falando de ir “pro chuveiro”, mas sim, lavar-se de verdade) dominam, como poucos adultos, todos os aparatos tecnológicos, tenham sido estes lançados há anos, dias e até horas. Logo, o sonho de consumo das novas gerações transformou-se em um celular, aquele “aparelhinho” pra chamar de SEU, com direito inclusive, a uma infinidade de capinhas e acessórios que movimentam loucamente este novo mercado.

 

Pois então e afinal, qual a idade certa para o primeiro celular? E claro, não estamos falando de um celular qualquer, tem que ser um smartphone, que se faz ou recebe ligação pouco importa. E a resposta é simples: quando ele for necessário.

 

Não podemos dizer que uma criança precisa de um celular por que gosta de ouvir músicas, assistir filmes, jogar, tirar foto ou coisa do gênero. Para cada uma dessas necessidades existem outras maneiras de suprir, além do próprio smartphone.

 

Mas não, o caso é outro. A criança passa o dia todo fora de casa e, de fato, circula além da escola, quando termina a aula, o transporte escolar a deixa no clube, no inglês, na natação, e se existe um meio de comunicação capaz de facilitar o acompanhamento desta rotina pelos pais, por que não adotar? Faz todo sentido!!

 

Bem, se a criança então está pronta para receber o seu primeiro smartphone é também chegada a hora dos adultos de casa apresentarem algumas regrinhas bem importantes para, inclusive, garantir a segurança e bem estar dos pequenos, tais como: filho(a), você não pode sair por aí tirando fotos das pessoas, tampouco compartilhá-las ou se valer de qualquer imagem ou situação para ridicularizá-las, também não pode baixar aplicativos não indicados para sua idade, estabelecer qualquer tipo de contato com pessoas que não conhece pessoalmente, não fazer deste “aparelhinho” uma parte do seu corpo, não compartilhar sua senha com ninguém (exceto seus pais, é claro), obedecer, fielmente, as regras estabelecidas pela escola quanto ao uso do celular, entre outras. PESQUISA

 

Segundo pesquisa TIC KIDS da CETIC.BR, as crianças de 09 a 17 anos, recebem as instruções de não fazer compras online e não dar informações pessoais em hipótese alguma, mas podem postar vídeos ou fotos na internet e usar redes sociais mesmo se estiverem sem supervisão. 

 

Estes e outros “combinados” podem ser estabelecidos por meio de um contratinho, inclusive, elaborado a “quatro mãos”. Por que não? Como exemplo e a título de sugestão (afinal, cada família tem a sua rotina) seguem dois modelinhos para inspirar você a desenvolver o seu. Um sobre o uso do celular e outro sobre navegar na web

Importante que pais e/ou responsáveis reflitam e considerem as demandas que a nova rotina passará a exigir, já que acompanhar a vida digital da garotada faz, também, parte de seu papel. Segundo a legislação civil brasileira, aos pais cumpre o dever de criar e dirigir a educação dos filhos e, educar, como bem sabemos, vai muito além de sustentar.

 

Fato! Quanto mais inseridos no universo digital, mais vulneráveis aos riscos de acesso a conteúdo inapropriado ou violento, a interações com pessoas mal intencionadas, além da própria dependência em jogos online e no uso do aparelhinho em si. Contudo, vale ressaltar que nem todo risco gera prejuízo, assim como nem toda oportunidade, benefício, cabendo a nós, adultos, o dever de mitigar os riscos e direcionar o uso das novas tecnologias para as oportunidades, que diga-se de passagem, são muitas.

 

Logo, tão importante quanto firmar um “combinado” com a criança, é dar o devido significado a ele e a tudo que nele está previsto. Uma sugestão de bate-papo: “por meio dos canais de comunicação que as novas tecnologias oferecem; como os chats de games, redes sociais; pessoas más podem se fazer passar por crianças da mesma idade que você ou até mesmo de um parente distante, artistas de TV, só para ganhar sua confiança e conseguir uma aproximação, o que explica a recomendação de somente interagir nos meios digitais com pessoas que conhecemos pessoalmente”. Ou então: “muito tempo na frente das telas pode comprometer a sua visão, assim como ficar conectado ao celular antes de dormir pode prejudicar a qualidade do seu sono, seu crescimento e até sua concentração no dia seguinte, o que justifica a recomendação sobre o equilíbrio e bom senso no tempo de uso do celular”. As fazer compreender e refletir sobre os cuidados necessários para o uso seguro e consciente do celular é fundamental.

 

Importante também, é acompanhar, a fim de verificar se tudo o que combinaram está sendo cumprido e orientar quando necessário. Mas e quando os pais trabalham fora e o tempo que resta a noite é para ajudar na lição de casa, além de agilizar uma série de outras providências? Não bastasse, há mais de um filho em casa, sendo o outro um bebê ou um adolescente a todo vapor. Como acompanhar tudo que a criança faz com o celular ao longo do dia? É verdade, ninguém consegue. Por isso, a mesma tecnologia que traz oportunidades, riscos, benefícios, prejuízos, também traz ferramentas que contribuem para este novo e importante papel das famílias. São os chamados softwares de controle parental, que nada mais são que ferramentas auxiliares para segurança de crianças. São auxiliares por que sozinhos não mudam comportamento e não garantem 100% de nada, até porque, o software que está instalado no celular dele pode não estar no celular do amigo. Daí a importância daquele “dar significado às regras” que abordamos acima. Com a ajuda dessas ferramentas é possível verificar e gerenciar a forma como sua criança utiliza o celular, assim como limitar o tempo de uso, estabelecer um determinado horário para utilização, bloquear o acesso a sites e conteúdos considerados inadequados, controlar o uso das redes sociais, jogos, programas e até mesmo impedir downloads, quando necessário.

Naturalmente, não dá para esperar que uma criança, apesar de sua destreza com a tecnologia, disponha de maturidade o suficiente para entender e escapar das “armadilhas” do mundo digital.

Você sabia, por exemplo, que é possível configurar o celular de sua criança para evitar a possibilidade de compras não intencionais? Você poderá configurar o dispositivo para exigir senhas para compras ou, se preferir, desativar totalmente a opção de realizá-las.

E para terminar, faço a pergunta que procuro me fazer todos os dias: que tipo de pai/mãe o(a) seu(sua) filho(a) vê quando te observa (desta vez, usando o celular)? Posso contar, explicar, mas o que de fato vai valer é se em mim ele consegue se inspirar e das novas tecnologias, o melhor proveito tirar.

Por Alessandra Borelli

© 2019 por Nethics Educação Digital

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